quinta-feira, 26 de agosto de 2010

As pessoas cansaram de ver favela

As pessoas cansaram de ver favela.

Elas cansaram de ver favela

Favela, favelado,

Sujeira, besteira, palavreado.

As pessoas cansaram de ver favela.

As pessoas cansaram de ver o Brasil.

Fecharam a janela;

Shhh. novela

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Peça à Deusa que te leve

Peça à Deusa que te leve

longe, ao universo infinito...

Onde não ressoe

nem um grito.

E que a leveza de ser breve,

e com a potência

do olhar de um anjo,

você retome todo o seu passado...

E sob o peso de se olhar;

sob a responsabilidade

de ver a vida além da vida,

Volta e diz:

“Meu amigo, quão ínfimo é o que podes ver.

Quão nada é o que podes ser

Diante da beleza

e da infindade do que é O infinito."

E toda vez que um pássaro cantar

e o seu olhar apenas (...)

Pensar em reprovar,

Sofra, por não saber voar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ainda está sem título

Hoje eu tive tanto para dizer,

Mas em não tendo ninguém

Com quem eu pudesse dialogar,

Eu disse nada.

E sem metáfora alguma

Sem nenhum desenho

Sem nenhuma cor

Sem música

Somente...

E a quantos mais

Eu puder dizer

E a quantos mais

Puderem me escutar

Mais verdadeiro

Mais mentiroso

Mais belo

E mais odioso

Será o meu cantar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Experiência da mesa

Sobre a base concreta de minha vida
seres vêm d'além vida
me alçar ao infinito.

E todos os dias me transformam
numa experiência metafísica
em que meus olhos
se fecham a ver.

Ao ver e me ver
a vida e minha vida
consternado por ver meu tamanho
desço, desço ao fundo e profundo de mim mesmo.

De volta à base de volta aos meus olhos
Fico menor, porque sou menor.

E me vejo menor...
Mas crescendo...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

EU TENHO DÚVIDAS

“Eu tenho dúvidas! Sim, eu tenho dúvidas.” Enquanto madame Beauvier chorava, num desespero que me parecia irremediável, eu, consentido, respondia a mim mesmo: Eu também tenho dúvidas. A ilusão de Madame Beauvier tomou conta de mim. Era eu agora quem tinha dúvidas. Saía do cinema como se não soubesse para onde ir. Eu não conseguia ir para casa. Tinha que correr atrás de resolver, de alguma forma, a falta de certeza que já me consumia. Vou me encontrar com ela de novo. Mas era só um personagem. Tinha, até aquele momento, certeza de que não existia. Fui invadido pela arte?
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Após algumas voltas no mesmo quarteirão, volto para o cinema. “Preciso de outra sessão, pelo amor de Deus”! Vou investigá-la. Assistirei da poltrona do crítico. Quero ter certeza de que esta dúvida não irá transpor o filme novamente. Voltarei para a realidade deixando a dúvida com quem ela deve ficar.
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Lá está Madame Beauvier chorando novamente. “Eu tenho dúvidas!”.
Eu também tenho dúvidas! A dúvida volta ainda mais forte, porque, agora, eu tenho mais detalhes da falta de informação: a dúvida em sua plena certeza de existir!
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Então volto para casa e no caminho faço o que nunca faço: ligo o rádio. Vou deitar o mais rápido que posso, querendo acabar logo com esta angústia idiota. Como quem ansioso deita na cama e divaga horas e esquece de dormir, por ser aquele momento um dos poucos de contato íntimo, eu não conseguia dormir. Mas com uma diferença: divagava na dúvida, em não ter o que divagar.
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A ilusão quando contamina a realidade parece que não pode ser mais tratada como ilusão. No meu caso ela era realidade latente, despertada pelo viés da arte. Eu havia entrado num mundo que era meu. Da mesma forma quando interpretamos sonhos na terapia, eu havia me deparado com minhas dúvidas no filme. A angústia de viver e seguir vivendo sem certezas...
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Kafka fazia muito mais sentido agora...
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É bom quando os dias vão passando e novas preocupações vão assumindo o lugar das velhas. Temos a sensação de que as coisas estão seguindo o seu caminho certo. Mesmo quando não conseguimos resolver os nossos problemas, mas damos um jeito de esquecê-los. Isso não está acontecendo comigo. Estou a cada dia com mais dúvidas.
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Meu olhar está se tornando dúvida!
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Mas minha dúvida não tinha forma. Não havia até o momento transbordado de mim. Ela me consumia e se comportava como uma virose fantasma. Angustiosa, porém indetectável para a medicina humana.
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“Está na hora de concluir e fechar o Capítulo II. Não se esqueçam: seu objetivo é o de apresentar uma reflexão sobre as finalidades do ensino de Português.”
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“O ensino de português...”
“O aprendizado de uma língua materna...”
“A língua e o poder...”
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O verbo se fez carne!!!!
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Tomei contato com minha grande angústia. O que eu sabia não me ajudava. Não tenho a coragem de escrever. O que eu sei não é o bastante. Me sinto esfacelado.
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Hoje é o dia em que eu escrevo com dúvida. Escrevo com medo de não ser aprovado. De pensar coisas que não se aplicam. Hoje eu olho para mim e vejo que não tenho experiência de afirmar muito sobre a educação. O que eu penso importa, mas não me basta.
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Hoje eu devo dizer sobre a finalidade do ensino de língua portuguesa. Mas não posso. Não sei. Hoje eu deveria criticar a gramática tradicional, exaltar a literatura, amar a língua, relacioná-la com o poder, ver na língua a expressão do sujeito. Mas não irei.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"E O VERBO ERA DEUS" VS "VÓS SOIS DEUSES"

“Minha pátria é a língua portuguesa”

Minha pátria é minha língua. Eu aprendi a pensar em brasileiro. O brasileiro dominou meus sentimentos. Só em brasileiro eu sei sentir “eu te amo”. E é por isso que eu amo a minha língua!

Quando Aristóteles tentava expressar as categorias do pensamento humano, não fez nada mais que expressar as categorias da língua Grega. O meu pensamento tem “sujeito oculto” (têm fenômenos sem sujeito!!!!), tem saudade, tem “fofinho”. A palavra é a expressão de uma cultura. É a identidade de um povo! Mas cada idioma tem suas variações, variações regionais, sociais, culturais, individuais. O brasileiro que se aprende, é o brasileiro que se é: é o que se diz; o que se vive. “Da abundância do seu coração fala a boca.”

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sobre as marcas do egoísmo

Que não têm nada de poéticas e devem ser apresentadas de maneira dura e direta. Diga-me como reages e verei até onde chega a tua “umbigalização” da vida. Tomemos muito cuidado meus amigos! O mundo caminha para as organizações coletivas. O exclusivismo é marca de gases nobres, não de seres humanos. A “tendência natural ao egoísmo do ser humano“, que Sartre nos afirma, nada tem de empírico: é a maneira triste de um homem triste ver a vida. A tendência natural da vida é o crescimento, o despojamento da vontade egoísta nutrida pelo desejo animalizado. Que nós consigamos compartilhar as alegrias de sermos felizes com todos e não fechados em guetos! Acho que fui rápido, mas fui certeiro.

Beijos a todos!